Atrativos em Potencial

Mapa ampliado, ambição ampliada: o Brasil quer investidores – mas está pronto para eles?

O Ministério do Turismo decidiu subir o tom. Ao anunciar a ampliação do seu mapa de investimentos turísticos, o recado é claro: o Brasil quer, precisa e está correndo atrás de novos negócios no setor. A vitrine está montada – resta saber se os bastidores acompanham o discurso.

No centro dessa estratégia está o Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa. Um projeto que há anos frequenta apresentações, promessas e maquetes, mas que agora volta ao radar com força renovada. A aposta é transformar a área em um dos maiores complexos turísticos planejados do Nordeste, com resorts, equipamentos de lazer e infraestrutura de alto padrão.

Não faltam mapas. O Brasil tem mapas demais. Tem zoneamento, tem regionalização, tem rotas, tem polos, tem planos. O que historicamente falta é execução coordenada, segurança jurídica, ambiente de negócios estável e, principalmente, governança local capaz de sustentar o investimento ao longo do tempo.

O destaque ao Cabo Branco não é por acaso. Ele simboliza exatamente esse momento de transição: sair do papel e provar que o Brasil consegue entregar aquilo que vende. Se der certo, vira referência. Se travar, vira mais um case de frustração.

E aí entra uma reflexão que precisa ecoar também no Rio Grande do Norte.

Quantos “polos Cabo Branco” temos por aqui – ou poderíamos ter – e ainda não conseguimos estruturar de forma competitiva? O investidor não compra apenas paisagem. Ele compra previsibilidade, conectividade, qualificação de mão de obra e eficiência pública. Sem isso, qualquer mapa vira peça de marketing.

A ampliação do portfólio de investimentos do Ministério é positiva, necessária e estratégica. Mas ela exige mais do que promoção institucional: pede alinhamento real entre União, estados e municípios. Pede menos discurso e mais entrega.

O turismo brasileiro já provou que tem potencial. Agora precisa provar que tem maturidade.

Porque no fim das contas, o investidor não pergunta onde está o mapa.
Ele quer saber onde está o resultado.

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