Amor em Conexão: quando o turismo encurta a distância dos corações
Neste Dia dos Namorados, permitam-me uma licença poética para falar não apenas de turismo, mas de amor. Afinal, há histórias que comprovam que viajar é muito mais do que deslocar-se entre cidades. Viajar é aproximar pessoas, construir memórias e, às vezes, dar uma segunda chance ao destino.
A nossa história começou nos corredores da Universidade Católica de Petrópolis, na década de 1970. Jovens, sonhadores, dividíamos os mesmos espaços, os mesmos olhares e um breve namorico que, como tantos outros da juventude, parecia destinado a ficar apenas na lembrança.
A semente daquele afeto foi plantada, não germinou naquele momento, mas também nunca morreu. Ficou guardada em algum lugar do tempo, esperando a estação certa para florescer.
Quarenta e dois anos depois, a vida resolveu nos colocar novamente na mesma estrada. O reencontro trouxe de volta a cumplicidade, os sorrisos e a certeza de que certos sentimentos conhecem o caminho de volta para casa.
Havia, porém, um detalhe: ela (Nereida Vinhaes) em Petrópolis, na serra fluminense, e eu (Paulo/Beto Lopes) em Natal, diante do mar potiguar. Para muitos, a distância poderia ser um obstáculo. Para nós, tornou-se um convite. Foi então que o turismo entrou definitivamente na nossa história.
As conexões aéreas transformaram quilômetros em encontros. Os aeroportos deixaram de ser apenas locais de embarque e desembarque para se tornarem portais de emoções. Cada passagem emitida carregava mais do que um destino: carregava expectativa, saudade e felicidade.
Quando eu estava na serra, explorávamos juntos os encantos do interior fluminense. Caminhávamos pelas ruas históricas de Petrópolis, descobríamos os sabores de Vassouras, os atrativos de Miguel Pereira e as belezas de Cabo Frio. Não eram simples passeios turísticos. Eram experiências compartilhadas, vividas com intensidade e afeto.
Quando ela vinha ao Nordeste, era a minha vez de apresentar os encantos da terra potiguar e dos vizinhos paraibanos. Percorremos estradas, praias, cidades históricas, serras e sertões.
Com o passar dos anos, percebemos que viajar juntos era mais do que conhecer lugares. Era conhecer ainda mais um ao outro. Cada roteiro revelava novas histórias, novas descobertas e novos motivos para celebrar a vida.
Talvez seja essa uma das maiores contribuições do turismo: criar oportunidades para que as pessoas compartilhem experiências verdadeiras. Porque os destinos passam a ter significado quando se transformam em lembranças afetivas.
Hoje, quatro anos depois desse reencontro que parecia improvável, continuamos escrevendo novos capítulos dessa história. E cada viagem acrescenta mais uma página ao nosso álbum de memórias.
Neste Dia dos Namorados, celebro não apenas o amor que resistiu ao tempo, mas também o turismo, esse extraordinário facilitador de encontros, emoções e reencontros.
Paulo Lopes
Editor do Blog Turismo no Ar

