Turismo responsável: mais do que crescer, é preciso preservar
“O turismo precisa ser responsável.” A frase da presidente da ABAV Nacional, Ana Carolina Medeiros, durante a ABAV Expo 2026, em São Paulo, merece mais do que uma manchete. Merece reflexão.
Ao falar sobre o futuro do setor, Ana Carolina chamou atenção para um ponto que já não pode ser tratado como tendência, mas como necessidade: o turismo precisa crescer sem destruir aquilo que justamente faz o turista viajar. Praias, dunas, cachoeiras, florestas, rios, patrimônios históricos, comunidades e paisagens naturais não são recursos inesgotáveis. São ativos turísticos que precisam ser preservados para continuar gerando experiências, emprego, renda e desenvolvimento.
E essa discussão conversa diretamente com a realidade do Rio Grande do Norte. Somos um estado que tem no turismo uma de suas principais vitrines. Temos sol e mar, mas também temos serras, sertão, patrimônio histórico, gastronomia, cultura, turismo rural, aventura e uma diversidade de experiências que vai muito além do litoral. Por isso, a fala da presidente da ABAV Nacional chega em boa hora. Turismo responsável não significa turismo menor. Significa turismo melhor planejado, com mais respeito ao meio ambiente, às comunidades, ao patrimônio e ao próprio visitante. É também compreender que não basta atrair cada vez mais turistas. É preciso saber como, onde e em que condições esse crescimento acontece. Na própria ABAV Expo, a entidade destacou ações ligadas à chamada mentalidade regenerativa, incluindo o plantio de mais de 3 mil árvores para compensação dos impactos da feira e a destinação responsável dos materiais utilizados no evento.
A questão, portanto, vai além de uma palavra bonita. Responsabilidade precisa estar presente no planejamento dos destinos, na ocupação do território, na infraestrutura, na qualificação dos serviços, na proteção ambiental e na valorização das comunidades que recebem o visitante.

