Destino do Sal

48 horas pelo Agreste Potiguar: uma viagem que sai de Natal e chega na bela de Macau

Nem toda viagem é sobre chegar. Algumas são, sobretudo, sobre atravessar. Em 48 horas de imersão pelo Agreste Potiguar, saímos de Natal com destino a Macau, mas foi ao longo da BR que o Rio Grande do Norte foi se revelando em camadas – de paisagem, de memória e de identidade.

O percurso passa por cidades que sustentam o cotidiano do estado e, muitas vezes, ficam à margem dos roteiros tradicionais: Ceará-Mirim, João Câmara, Taipu, Jandaíra dentre outros. Municípios que não pedem pressa. Pedem olhar atento, escuta e presença. Cada trecho da estrada conta uma história silenciosa de produção, resistência e vida que pulsa longe dos cartões-postais.

A chegada a Macau não foi apenas um ponto final no mapa, mas um mergulho em território simbólico. Na região de Diogo Lopes, entre o mar, as salinas e a presença marcante das estruturas industriais – como a plataforma que se impõe na paisagem -, o turismo se apresenta como experiência real, crua e potente. Nada de cenário fabricado: ali, o sal entra na pele, o sol marca o corpo e o vento conta segredos antigos.

Esse tour de reconhecimento foi, acima de tudo, um exercício de turismo vivido, não apenas informado. Ver de perto o que antes se conhecia por relatos muda tudo. Ajusta o discurso, amadurece a proposta e amplia o entendimento sobre o Agreste como corredor estratégico entre o litoral, a economia e a cultura potiguar.

Em pleno clima de carnaval, essa viagem nos lembrou que o Rio Grande do Norte também desfila fora da avenida principal. E que há muito samba escondido nas estradas, nos municípios do interior e nos destinos que ainda aguardam um olhar mais generoso, mais técnico e mais apaixonado.

O Agreste Potiguar não é passagem.
É destino em movimento.

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