Quando o turismo senta à mesa em Brasília
Em tempos em que o turismo brasileiro busca recuperar protagonismo dentro da agenda econômica nacional, a recente reunião da ABAV – reunindo lideranças do setor com o Ministro do Turismo, em Brasília – trouxe um sinal importante: o diálogo institucional voltou a acontecer.
Mais do que um encontro protocolar, a agenda tratou de algo essencial para o país: estratégia. O turismo não é apenas lazer. É geração de renda, distribuição econômica regional e, principalmente, inclusão produtiva. Em muitos municípios brasileiros, ele representa a principal atividade econômica sem depender de grandes indústrias ou cadeias produtivas pesadas.
A presença das lideranças das agências de viagens nesse debate revela uma mudança de percepção. Durante muito tempo, o setor foi enxergado apenas como intermediário comercial. Hoje, as agências são reconhecidas como organizadoras da experiência turística – verdadeiras arquitetas do deslocamento humano, responsáveis por transformar destinos em produtos viáveis.
O encontro com o Ministério do Turismo também recoloca em pauta temas históricos: qualificação profissional, segurança jurídica, conectividade aérea, promoção internacional e fortalecimento do mercado interno. São pilares fundamentais para que o Brasil deixe de ser apenas um país com potencial turístico e passe, de fato, a operar como potência turística.
Nesse contexto, o papel das regionais ganha ainda mais importância. É nos estados que o turismo acontece de verdade – é onde estão os hotéis, os guias, os receptivos, os transportadores e os pequenos empreendedores.
No Rio Grande do Norte, a atuação da ABAV-RN torna-se estratégica. O estado possui vocação natural consolidada, mas precisa avançar na organização da oferta, na comercialização estruturada e na integração com os operadores nacionais. O diálogo com a instância federal abre oportunidades para que as demandas regionais ganhem voz dentro da formulação das políticas públicas.
Quando governo e iniciativa privada sentam à mesma mesa, quem ganha não é apenas o trade – é o destino.
E, no turismo, destino significa emprego, renda e desenvolvimento local.
O Brasil possui paisagens. O que precisa é de coordenação.
E reuniões como essa indicam que, finalmente, o setor começa a caminhar nessa direção.

