Petrópolis acelera o passado para movimentar o turismo do futuro
Petrópolis, na Serra Fluminense, volta a colocar o pé no acelerador – mas, desta vez, sem disputar uma corrida contra o relógio. De 11 a 13 de setembro, o Centro Histórico da Cidade Imperial será palco da quinta edição do Circuito Imperial de Automobilismo, evento que reúne carros clássicos, exposições, homenagens, palestras e, principalmente, a memória de uma época em que as ruas de Petrópolis se transformavam em verdadeiras pistas de corrida.
A história do automobilismo petropolitano é muito anterior às famosas corridas das décadas de 1950 e 1960. Registros apontam para provas realizadas na região desde o início do século XX. Em 1936, aconteceu a primeira corrida nas ruas do Centro da cidade. E, a partir de 1948, uma nova fase começou com o Circuito Cidade de Petrópolis, que durante duas décadas levou pilotos, carros e milhares de espectadores para o coração da Cidade Imperial. Petrópolis chegou a ser chamada de uma espécie de “Mônaco brasileira”. As corridas utilizavam um traçado de aproximadamente 3,2 quilômetros pelas ruas do Centro Histórico, envolvendo vias que hoje fazem parte do cotidiano turístico da cidade.
É justamente essa memória que o Circuito Imperial de Automobilismo procura recuperar. Neste fim de semana, carros antigos estarão expostos na Avenida Tiradentes. No domingo, o tradicional Raid Histórico fará duas voltas pelo antigo circuito, em um desfile de apresentação, a velocidade média prevista é de apenas 40 km/h.
Não é uma corrida. É uma volta da memória. É como se Petrópolis abrisse novamente as portas de uma garagem do passado e colocasse seus antigos protagonistas para desfilar diante das novas gerações. E isso tem uma importância enorme para o turismo. Porque destino turístico não vive apenas de paisagem. Vive também de história, identidade, memória e experiências.
Petrópolis deu um passo importante nesse sentido ao reconhecer oficialmente seu circuito automobilístico como patrimônio imaterial, histórico e cultural, por meio da Lei Municipal 8.665/2023. O traçado reconhecido percorre pontos importantes do Centro Histórico e soma 3,2 quilômetros. Agora, o automobilismo deixa de ser apenas uma lembrança contada pelos mais velhos e passa a integrar, cada vez mais, o patrimônio turístico da cidade.

