Jornada de Trabalho 6X1

Fim da escala 6×1: o debate que já preocupa os bastidores da hotelaria

Enquanto o Brasil discute a possibilidade de acabar com a jornada de trabalho no modelo 6×1 – seis dias de trabalho para um de descanso – nos bastidores da hotelaria o assunto já começa a ser acompanhado com atenção.

O turismo é uma indústria que vive justamente quando grande parte da economia para. Fins de semana, feriados e férias são os momentos em que hotéis, bares, restaurantes e equipamentos turísticos entram em plena operação. E para isso acontecer, alguém precisa estar trabalhando.

É aí que entra o velho e conhecido modelo 6×1, uma engrenagem que, ao longo de décadas, ajudou a organizar a rotina de recepções, camareiras, cozinhas, manutenção e serviços que mantêm a experiência do hóspede funcionando sem interrupção.

A redução da jornada pode significar mais qualidade de vida para o trabalhador – algo que ninguém discute. Mas também pode exigir mais contratações, reestruturação de escalas e aumento de custos operacionais em um setor que já convive com sazonalidade, alta carga tributária e margens muitas vezes apertadas.

Para destinos turísticos como o Rio Grande do Norte, onde a atividade tem peso estratégico na economia, o tema ganha relevância ainda maior.

Hotéis funcionam todos os dias do ano. Não existe “segunda-feira fechada” na hotelaria. O turista chega no sábado à noite, no domingo de manhã, no feriado prolongado ou em plena quarta-feira de baixa estação.

É por isso que lideranças do setor, como a advogada e empresária Grace Gosson, que preside o sindicato da hotelaria no estado, defendem que qualquer debate sobre mudanças na jornada de trabalho leve em conta as especificidades de atividades como turismo, hospedagem e alimentação fora do lar.

Se a redução da jornada significar mais tempo livre para milhões de brasileiros, o turismo pode ser um dos setores mais beneficiados. Mais folgas significam mais viagens curtas, mais escapadas de fim de semana e mais consumo de experiências.

Por enquanto, o debate ainda está no campo político e econômico. Mas uma coisa é certa: quando o assunto é reorganizar o tempo de trabalho no Brasil, o turismo inevitavelmente entra na conversa.

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