Extremoz e Genipabu: é hora de recuperar o protagonismo no turismo potiguar
Durante muitos anos, quando se falava em turismo no Rio Grande do Norte, uma das primeiras imagens que vinha à cabeça era a de um buggy subindo e descendo as dunas de Genipabu. O destino, localizado no município de Extremoz, foi durante décadas um dos grandes cartões-postais do Estado e um dos principais responsáveis por colocar o Rio Grande do Norte no mapa do turismo nacional e internacional.
Genipabu tinha – e continua tendo – uma combinação difícil de encontrar em qualquer outro lugar: praia, lagoa, dunas móveis, paisagens cinematográficas e experiências capazes de transformar uma simples visita em uma lembrança para toda a vida. Foi nesse cenário que nasceu a tradição dos passeios de buggy pelas dunas, eternizados pela pergunta que virou quase um símbolo do turismo potiguar: “com emoção ou sem emoção?”. Até hoje, o passeio continua sendo uma das experiências mais procuradas por quem visita o litoral norte do Estado.
E quem viveu aquele período certamente guarda na memória personagens e lugares que ajudaram a construir essa história. Entre eles, o saudoso Bar do Pedro, ponto de encontro de turistas, bugueiros e moradores, além dos famosos passeios de dromedário que durante anos deram a Genipabu uma imagem ainda mais exótica e diferenciada.
Com o passar dos anos, entretanto, novos destinos ganharam força. Pipa consolidou-se como referência internacional; Maracajaú transformou seus parrachos em grande produto turístico; São Miguel do Gostoso ganhou espaço no cenário nacional; e outros municípios passaram a estruturar seus próprios atrativos.
Genipabu não deixou de ser importante. Mas perdeu parte do protagonismo que já havia exercido. E talvez seja justamente aí que esteja o grande desafio de Extremoz: não reinventar Genipabu, mas reposicioná-la. As dunas continuam no mesmo lugar – embora estejam sempre se movimentando. A paisagem continua espetacular. O passeio de buggy continua sendo um clássico. As lagoas continuam fazendo parte do imaginário dos visitantes. E a proximidade com Natal continua sendo uma enorme vantagem competitiva. O que falta é transformar toda essa força natural e histórica em uma estratégia contemporânea de destino.
Nesse sentido, a iniciativa do Shopping Rural Público de Extremoz pode representar uma nova estirada para o município. A proposta, que começou como indicação na Câmara Municipal e avançou para uma estrutura que a atual gestão municipal vem incorporando à estratégia turística de Extremoz, pretende utilizar as antigas ruínas e o entorno como espaço de valorização da produção local, da gastronomia, do artesanato, da cultura e da economia do município.
Mais do que um equipamento comercial, a ideia pode ser entendida como uma oportunidade de criar um novo ponto de encontro entre o turismo e a identidade de Extremoz. Porque o futuro do turismo não está apenas em vender paisagens. Está em oferecer experiências, histórias, produtos locais e motivos para o visitante permanecer mais tempo, consumir no destino e voltar.
O Shopping Rural pode ser justamente uma dessas novas portas de entrada. Não se trata, portanto, de disputar espaço com Pipa, Maracajaú ou São Miguel do Gostoso. Pelo contrário. O crescimento desses destinos mostra que o turismo potiguar possui capacidade de criar produtos diferentes e complementares.
A questão é fazer com que Extremoz volte a ocupar o lugar que sua importância turística merece. O famoso “com emoção ou sem emoção” pode continuar fazendo parte da memória afetiva de milhares de turistas. Mas o novo desafio é oferecer emoção também na descoberta de uma Extremoz cultural, rural, gastronômica, histórica e criativa.

