Crédito para o turismo: uma janela que o Rio Grande do Norte precisa observar
O turismo brasileiro acaba de ganhar uma oportunidade que merece ser observada com atenção pelo setor público, pelo trade e pelas instituições que trabalham com desenvolvimento econômico. O Ministério do Turismo, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), abriu seleção para contratar uma consultoria especializada em mercado financeiro e instrumentos de fomento. A missão será fazer um diagnóstico da oferta e da demanda de crédito para o turismo brasileiro e, a partir desse levantamento, propor soluções capazes de ampliar o acesso ao financiamento.
As propostas poderão ser apresentadas até as 17h do dia 5 de outubro de 2026. A contratação terá duração estimada de seis meses. Entre as exigências estão experiência mínima de cinco anos em estudos, diagnósticos ou projetos relacionados a fomento econômico, instrumentos financeiros, políticas públicas e sustentabilidade.
E aqui entra uma reflexão que o RN poderia fazer. O Estado possui uma trajetória de estudos, diagnósticos, planejamento turístico e experiências de regionalização que não deveria ficar esquecida nas gavetas. Ao longo dos anos, diferentes instituições e consultorias produziram informações sobre destinos, infraestrutura, mercado, oferta turística e desenvolvimento regional. A nova iniciativa do Ministério do Turismo e do BID abre justamente uma discussão sobre como transformar conhecimento acumulado em instrumentos financeiros mais adequados à realidade do turismo.
No RN, essa discussão alcança hotéis, pousadas, restaurantes, receptivos, agências, equipamentos turísticos, pequenos empreendedores, turismo rural, turismo de natureza e tantos outros segmentos que precisam de acesso a crédito para modernizar, ampliar ou iniciar seus negócios.
Também merece atenção a preocupação do programa federal com micro e pequenas empresas e com mecanismos de garantia e mitigação de riscos, justamente alguns dos pontos que costumam dificultar o acesso dos pequenos empreendedores ao financiamento. Talvez seja hora de o Rio Grande do Norte olhar para o próprio acervo de conhecimento que já produziu. Não se trata de reinventar a roda. Trata-se de verificar o que já foi estudado, atualizar informações, cruzar dados e mostrar que o turismo potiguar pode contribuir para uma discussão nacional sobre crédito, investimento e desenvolvimento.

