Pipa precisa de segurança antes que o turista chegue
Pipa é daqueles lugares que o Rio Grande do Norte aprendeu a vender para o mundo. Suas falésias, praias, gastronomia, vida noturna e a atmosfera cosmopolita transformaram o pequeno distrito de Tibau do Sul em uma das principais vitrines do turismo potiguar.
Por isso mesmo, quando um turista é assaltado sob a mira de armas de fogo, o problema ultrapassa a ocorrência policial. Ele atinge a imagem do destino. Na madrugada de 5 de setembro, cinco turistas foram vítimas de um assalto em Pipa. Entre as vítimas estava o influenciador digital Jairo Martins, que relatou nas redes sociais o trauma provocado pela abordagem e decidiu interromper a viagem.
A repercussão foi imediata. E esse talvez seja o ponto que o setor turístico precisa compreender cada vez mais: no turismo, a sensação de segurança também faz parte do produto que vendemos. Não adianta divulgar Pipa como paraíso, investir em promoção, trazer influenciadores, realizar eventos e comemorar bons índices de ocupação hoteleira se o visitante, ao chegar ao destino, tiver medo de circular.
No último dia 9 de setembro, representantes da hotelaria de Pipa, articulados pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte – ABIH-RN -, estiveram com o secretário estadual da Segurança Pública, coronel Araújo, para apresentar as preocupações do empresariado e pedir o fortalecimento das ações de segurança. A reivindicação não se limita a colocar mais policiais nas ruas. O setor também defende prevenção, inteligência e ações permanentes, justamente para que a segurança consiga antecipar situações de risco. Segundo as informações divulgadas após a reunião, o Governo do Estado sinalizou o reforço dessas estratégias em Pipa.
O que o turismo precisa é de uma política de segurança que conheça a dinâmica do destino. Pipa tem horários de maior movimento, áreas de circulação turística, festas, restaurantes, acessos rodoviários, transporte por aplicativo, praias, trilhas e locais de concentração de visitantes. Isso significa que o planejamento policial precisa conversar com a realidade turística. Onde estão os horários de maior risco? Quais são os pontos vulneráveis? Como funciona a entrada e a saída dos visitantes? Há integração entre câmeras públicas e privadas? Como a informação chega rapidamente às forças de segurança? Existe um mapa das ocorrências?
São perguntas que não precisam esperar uma nova vítima para serem feitas. Aliás, essa discussão já apareceu anteriormente. Em dezembro de 2024, a própria ABIH-RN participou de reunião com a Secretaria de Segurança para tratar do monitoramento dos corredores turísticos do Estado, incluindo Pipa. Portanto, o desafio agora é transformar reuniões em estratégia permanente. Pipa merece uma atenção diferenciada.
Não estamos dizendo que Pipa seja um destino sem segurança ou que todo visitante esteja em risco. Seria irresponsável fazer esse tipo de afirmação. Também é justo reconhecer que as forças policiais atuam na região e que, após o episódio recente, houve reforço do policiamento. Mas também não podemos minimizar um assalto praticado por criminosos armados contra turistas. Um único episódio pode produzir uma repercussão muito maior do que dezenas de campanhas promocionais conseguem construir. E quando a vítima tem milhões de seguidores, o alcance dessa imagem negativa se multiplica. Turismo e segurança precisam andar juntos.
O Rio Grande do Norte tem uma responsabilidade especial com Pipa. O destino é uma das nossas principais marcas turísticas e possui uma importância econômica que ultrapassa Tibau do Sul. Hotéis, pousadas, restaurantes, bares, transportadores, bugueiros, guias, comerciantes, trabalhadores e toda uma cadeia produtiva dependem da imagem positiva daquele território. Por isso, a discussão sobre segurança em Pipa não deve ser vista como uma cobrança isolada dos hoteleiros. É uma questão de Estado.

